Ando muito sem tempo, como já deve ter dado para perceber, e minhas únicas referências para posts têm vindo da faculdade. Mas essa é boa, eu garanto. Pode continuar a ler. E tem muito a ver com algumas coisas que vivi nos últimos dias.
Estava lendo um texto sobre um filme do Resnais chamado “On connait la chanson”, algo como “Conhecemos a canção”. O autor explicava que o filme, uma comédia musical, trata principalmente das relações entre os personagens. Mas de repente, e isso acontece em vários momentos, esses mesmos personagens passam a refletir sobre eles próprios, suas vidas afetivas, suas relações com os outros e por aí vai. Nesses momentos de intimidade, em que estão sozinhos, os personagens não desenvolvem seus pensamentos falando, mas sim cantando – e as músicas só entram no filme nessas horas.
Acontece que todas as canções escolhidas para esses momentos de intimidade são grandes sucessos na França e, por isso mesmo, muito conhecidas do público francês. Um espectador mais sensível, para o autor do texto, entraria em crise. Porque de cara perceberia que o que esses personagens achavam ser sua intimidade mais íntima era, no fundo, de domínio público.
Pensando sobre isso, esse autor diz que nossas emoções, sentimentos e segredos são moldados e modulados pelo outro. E todo mundo sabe que não poderia ser diferente, nós só vivemos em bando. O que me incomoda mesmo é essa mania que a gente tem de se comportar da maneira que os outros esperam que a gente se comporte. Tento fugir disso às vezes, mas “o que as pessoas vão pensar de mim” está no topo das paradas de sucesso da minha consciência.
É estranho porque eu imaginava que as pessoas que já estivessem mais próximas do fim da vida, ou que pelo menos já contassem mais anos de vida do que eu, tivessem uma visão crítica desse assunto. Mas cada vez mais elas me provam o contrário. Eu queria mesmo é que um velhinho chegasse perto e dissesse que isso tudo é uma grande besteira. Que no fim da vida a gente percebe que o que valia mesmo era não ter se preocupado tanto com o pensamento alheio e ter feito mais o que desse na telha. Mas esse velhinho ainda não deu as caras.
Moça de 31 anos. Que um dia resolveu criar um blog porque estava escrevendo uma reportagem sobre crianças blogueiras. E resolveu continuar postando besteiras variadas. Sem nenhum compromisso com periodicidade.
sexta-feira, março 31, 2006
sábado, março 18, 2006
Curriculum Mortis
Descobri outra coisa muito difícil para mim: autopromoção. Sabe entrevista de emprego, daquelas que te perguntam por que você deveria ser contratado por aquela empresa? É quando eu tenho mais vontade de sair correndo. Tenho um professor no mestrado que sempre dá uma sacaneada nos Curriculua Vitae - descobri que esse é o plural de Curriculum Vitae. Peço licença para transcrever um trecho de uma fala dele sobre isso:
"Somos todos forçados a mentir, ou, na melhor das hipóteses, a sonegar algumas informações, incorrendo na unilateralidade. Assim, o Curriculum Vitae deve ser capaz de induzir aqueles que o lêem a uma superestimação das nossas qualidades. Eu leio o meu e fico horrorizado comigo mesmo".
A proposta do homem é boa. Diz ele que ao lado de todo Curriculum Vitae deveria constar um Curriculum Mortis. Seria algo como: Curriculum Vitae - "consegui meu primeiro emprego aos 18 anos, após passar por seleção pública em que obtive a nota desejável para desempenhar um cargo de extrema importância". Curriculum Mortis - "apenas três pessoas participaram da seleção e as atribuições deste cargo se resumiam a catalogar arquivos".
Isso tudo para dizer que eu não teria a menor dificuldade para preparar meu Curriculum Mortis. Aliás, eu até me animei quando ele trouxe o assunto durante um café. Mas pensando bem, o meu Curriculum Vitae, se analisado profundamente, traz à tona uma das minhas piores características: tenho pouca capacidade de ficar por muito tempo em um mesmo lugar porque tudo acaba me cansando.
O meu currículo sempre chama a atenção das pessoas por ser extenso demais, por eu ter trabalhado em tantos lugares com tão pouca idade. Elas acham que isso é resultado de muita competência. Eu, no fundo, acho que é conseqüência de muita inconstância e dúvidas. É, talvez eu nem precise de um Curriculum Mortis.
"Somos todos forçados a mentir, ou, na melhor das hipóteses, a sonegar algumas informações, incorrendo na unilateralidade. Assim, o Curriculum Vitae deve ser capaz de induzir aqueles que o lêem a uma superestimação das nossas qualidades. Eu leio o meu e fico horrorizado comigo mesmo".
A proposta do homem é boa. Diz ele que ao lado de todo Curriculum Vitae deveria constar um Curriculum Mortis. Seria algo como: Curriculum Vitae - "consegui meu primeiro emprego aos 18 anos, após passar por seleção pública em que obtive a nota desejável para desempenhar um cargo de extrema importância". Curriculum Mortis - "apenas três pessoas participaram da seleção e as atribuições deste cargo se resumiam a catalogar arquivos".
Isso tudo para dizer que eu não teria a menor dificuldade para preparar meu Curriculum Mortis. Aliás, eu até me animei quando ele trouxe o assunto durante um café. Mas pensando bem, o meu Curriculum Vitae, se analisado profundamente, traz à tona uma das minhas piores características: tenho pouca capacidade de ficar por muito tempo em um mesmo lugar porque tudo acaba me cansando.
O meu currículo sempre chama a atenção das pessoas por ser extenso demais, por eu ter trabalhado em tantos lugares com tão pouca idade. Elas acham que isso é resultado de muita competência. Eu, no fundo, acho que é conseqüência de muita inconstância e dúvidas. É, talvez eu nem precise de um Curriculum Mortis.
quarta-feira, fevereiro 15, 2006
O assunto da semana
Sabe quando você escuta falar de um assunto pela primeira vez e ele te persegue por dias? Por exemplo: um escritor. Você lê sobre ele em algum lugar e dois dias depois alguém puxa um assunto sobre o sujeito com você. Do nada. E de repente você vê o cara na televisão dando uma entrevista. Do nada. É o universo conspirando para que aquele seja o assunto da semana para você.
Pois bem, o meu assunto da semana não é novo, mas eu me peguei pensando nele e nesses últimos dias, em duas situações diferentes, alguém bateu na mesma tecla perto de mim. Do nada.
Então, descobri que sou uma pessoa nada preparada para aceitar críticas. “Aquele seu texto estava muito, muito ruim...”. “Esse seu artigo ainda não está legal para entrar no livro”. Putz, mas aquele meu texto foi o que mais teve comentários no blog. E eu passei dois dias inteiros no tal artigo, que, diga-se de passagem, ficou muito melhor que o do fulano...
É isso. Eu não consigo ouvir uma crítica sem rebater de pronto. Pelo menos mentalmente, quando não consigo devolver uma resposta verbal na cara da pessoa. Isso quase sempre acontece: formulo respostas que são ouvidas só por mim. E nessas horas elas vêm acompanhadas de uma sensação de derrota indescritível.
Acho que nada disso seria uma grande questão se as críticas positivas também não fossem um problema. “O seu trabalho estava ótimo. Você conseguiu como ninguém reunir as principais idéias dos autores”. Meu trabalho? Você só está dizendo isso porque os relatórios feitos pelos outros devem ter sido muito ruins... Não sei o que fazer até o mundo entender as minhas oscilações de segurança/insegurança.
Pois bem, o meu assunto da semana não é novo, mas eu me peguei pensando nele e nesses últimos dias, em duas situações diferentes, alguém bateu na mesma tecla perto de mim. Do nada.
Então, descobri que sou uma pessoa nada preparada para aceitar críticas. “Aquele seu texto estava muito, muito ruim...”. “Esse seu artigo ainda não está legal para entrar no livro”. Putz, mas aquele meu texto foi o que mais teve comentários no blog. E eu passei dois dias inteiros no tal artigo, que, diga-se de passagem, ficou muito melhor que o do fulano...
É isso. Eu não consigo ouvir uma crítica sem rebater de pronto. Pelo menos mentalmente, quando não consigo devolver uma resposta verbal na cara da pessoa. Isso quase sempre acontece: formulo respostas que são ouvidas só por mim. E nessas horas elas vêm acompanhadas de uma sensação de derrota indescritível.
Acho que nada disso seria uma grande questão se as críticas positivas também não fossem um problema. “O seu trabalho estava ótimo. Você conseguiu como ninguém reunir as principais idéias dos autores”. Meu trabalho? Você só está dizendo isso porque os relatórios feitos pelos outros devem ter sido muito ruins... Não sei o que fazer até o mundo entender as minhas oscilações de segurança/insegurança.
domingo, fevereiro 05, 2006
Sacrifícios
Levanta a mão aí quem nunca teve que se submeter a uma série de sacrifícios para o relacionamento fluir. Sacrifício é uma palavra forte, eu sei, mas não encontrei outra. Talvez concessão. Eu penso muito nisso, principalmente quando sou eu que tenho que fazer concessões. Sempre chego à conclusão de que se você não está se sacrificando, a outra pessoa do relacionamento está.
Um exemplo bobo, mas real. O Cabaret Kalesa, da Praça Mauá, tem um telão com uma quantidade infinita de musicais. Eu sou viciada em televisão, filmes e por aí vai. Mais do que isso: sou fanática por musicais, com muita gente dançando e cantando ao mesmo tempo. O meu par não é nem um pouco. E quando me flagrou assistindo aos musicais, em vez de realmente dançando na pista com ele, jogou na minha cara: “você é mesmo uma viciada. Não consegue desgrudar da tela”.
Como assim? Eu só queria ver o Fred Astaire e a Judy Garland. Isso não é crime! Mas agora eu teria que passar a noite ignorando o telão. Se não o fizesse, o sacrificado seria ele, que teria que agüentar uma namorada fingindo dançar e fazendo comentários sobre “A star is born”.
O curioso é que o ser humano, depois de se submeter a determinado sacrifício em um relacionamento, tem sede de vingança. Ou melhor, quer que o amado se sacrifique também para ver como é bom. A minha resposta ao comentário que me impediu de prestar atenção ao telão foi acender um cigarro. E ele odeia com todas as forças que eu fume... Não tem jeito. Nenhum de nós está mesmo preparado para sair do jardim-de-infância.
Um exemplo bobo, mas real. O Cabaret Kalesa, da Praça Mauá, tem um telão com uma quantidade infinita de musicais. Eu sou viciada em televisão, filmes e por aí vai. Mais do que isso: sou fanática por musicais, com muita gente dançando e cantando ao mesmo tempo. O meu par não é nem um pouco. E quando me flagrou assistindo aos musicais, em vez de realmente dançando na pista com ele, jogou na minha cara: “você é mesmo uma viciada. Não consegue desgrudar da tela”.
Como assim? Eu só queria ver o Fred Astaire e a Judy Garland. Isso não é crime! Mas agora eu teria que passar a noite ignorando o telão. Se não o fizesse, o sacrificado seria ele, que teria que agüentar uma namorada fingindo dançar e fazendo comentários sobre “A star is born”.
O curioso é que o ser humano, depois de se submeter a determinado sacrifício em um relacionamento, tem sede de vingança. Ou melhor, quer que o amado se sacrifique também para ver como é bom. A minha resposta ao comentário que me impediu de prestar atenção ao telão foi acender um cigarro. E ele odeia com todas as forças que eu fume... Não tem jeito. Nenhum de nós está mesmo preparado para sair do jardim-de-infância.
segunda-feira, janeiro 23, 2006
Macaca de auditório
A sensação é muito esquisita, mas me persegue há anos. É tão presente que eu consegui achar um nome perfeito. Chama-se sensação “macaca de auditório”. Às vezes encontro pessoas que entendem de primeira o que eu quero dizer. São aquelas que sofrem desse mesmo mal.
Funciona assim: suas amigas acabaram de se desentender na mesa do bar e ficou um climão? Você precisa enfrentar pai-e-mãe-que-mal-se-cumprimentam em um mesmo recinto? Seu namorado está de mau humor? Vamos lá, pegue o seu pom-pom e dê uma de cheerleader. Sua obrigação é animar todo mundo e acabar com caras enfezadas. A verdade é que ninguém mandou você animar ninguém, mas você se sente na obrigação mesmo assim.
Acreditem, é exaustivo. Tem horas que me pergunto por que não consigo ser a pessoa que fecha a cara e espera ser animada por terceiros. Ou a pessoa que vê uma cara amarrada e deixa por isso mesmo. Eu juro que ando treinando, mas geralmente não passo dos 5 minutos. É o tempo que consigo me segurar até inventar um novo assunto, fazer graça com o que acabou de acontecer (mesmo que não tenha graça nenhuma), ou contar qualquer história patética da minha vida. Tudo para tentar reverter a situação.
É tão ridículo que eu acabo de me dar conta que desenvolvi técnicas para acabar com climas ruins. Mas deixo claro que tenho plena consciência dos momentos em que visto o personagem “macaca de auditório”. E eles contam pontos. Só não sei o que vou fazer quando alguém bater um recorde e o meu pote transbordar. Provavelmente, vou vestir o personagem “menina boazinha” e tentar esquecer. Meu caso de múltiplas personalidades é mesmo muito sério.
Funciona assim: suas amigas acabaram de se desentender na mesa do bar e ficou um climão? Você precisa enfrentar pai-e-mãe-que-mal-se-cumprimentam em um mesmo recinto? Seu namorado está de mau humor? Vamos lá, pegue o seu pom-pom e dê uma de cheerleader. Sua obrigação é animar todo mundo e acabar com caras enfezadas. A verdade é que ninguém mandou você animar ninguém, mas você se sente na obrigação mesmo assim.
Acreditem, é exaustivo. Tem horas que me pergunto por que não consigo ser a pessoa que fecha a cara e espera ser animada por terceiros. Ou a pessoa que vê uma cara amarrada e deixa por isso mesmo. Eu juro que ando treinando, mas geralmente não passo dos 5 minutos. É o tempo que consigo me segurar até inventar um novo assunto, fazer graça com o que acabou de acontecer (mesmo que não tenha graça nenhuma), ou contar qualquer história patética da minha vida. Tudo para tentar reverter a situação.
É tão ridículo que eu acabo de me dar conta que desenvolvi técnicas para acabar com climas ruins. Mas deixo claro que tenho plena consciência dos momentos em que visto o personagem “macaca de auditório”. E eles contam pontos. Só não sei o que vou fazer quando alguém bater um recorde e o meu pote transbordar. Provavelmente, vou vestir o personagem “menina boazinha” e tentar esquecer. Meu caso de múltiplas personalidades é mesmo muito sério.
quarta-feira, janeiro 11, 2006
Sobre os judeus
Há muito tempo, eu vi um episódio do Seinfeld em que um cara, depois de ter se convertido ao judaísmo, se sentia muito à vontade para contar piadas de judeu. Se ele já fazia parte do povo, tinha todo o direito. Assim, eu agora também me dou o direito de falar sobre os judeus. Até porque eu já nasci uma. Então, vamos lá. Vou falar das manias judaicas mais curiosas.
Isso já aconteceu uma centena de vezes: estou passeando com o meu namorado e encontro um judeu conhecido. Depois de um tempo, ele me pergunta de onde conheço a tal pessoa. A resposta quase sempre é “ah, sei lá, como eu vou te explicar? Ele é judeu...”.
Sempre que aparece algum judeu famoso, nós, judeus, nos cutucamos e comentamos com quem está do lado: “esse cara é judeu!”. Não à toa, há uma pá de livros espalhados pelo mundo com títulos como “Os 100 judeus mais famosos da História”. Tem um na estante da casa da minha irmã.
Só os judeus vão ao delírio em certas cenas de filmes do Woody Allen. Eu, por exemplo, adoro o bar-mitzva temático de “Desconstruindo Harry”. Venho descobrindo, quanto mais amigos que não são judeus aparecem na minha vida, que tem muita gente por aí que não curte tanto Woody Allen. E eu nem sabia disso.
Quando alguém da comunidade aparece com namorado ou namorada novos - e essa fofoca está rolando em um grupo de judeus - sempre tem um indivíduo que pergunta: “é judeu?”. Aliás, só nós, judeus, usamos essa palavra “comunidade”.
Fazemos questão de saber nome e sobrenome quando alguém que não é judeu diz: “conheci um judeu outro dia”, ou “eu já tive uma namorada judia!”. Porque nossos sobrenomes impronunciáveis são muito mais importantes que os nossos primeiros nomes.
Adoramos falar em hebraico entre nós para que os outros não entendam. Nossos avós fazem isso em ídish. Minha avó se aproveita dessa artimanha direto.
Filmes com temática judaica em cartaz são sucesso garantido na comunidade. Não importa se são péssimos. Todo mundo vai assistir.
Eu poderia ficar o dia todo aqui lembrando dessas peculiaridades. Mas depois de tudo isso, eu só consigo pensar em uma coisa. Aliás, estou me coçando de vontade de falar desde que comecei esse texto. Sabe o Seinfeld, que eu falei lá em cima? Pois é, ele é judeu!
Isso já aconteceu uma centena de vezes: estou passeando com o meu namorado e encontro um judeu conhecido. Depois de um tempo, ele me pergunta de onde conheço a tal pessoa. A resposta quase sempre é “ah, sei lá, como eu vou te explicar? Ele é judeu...”.
Sempre que aparece algum judeu famoso, nós, judeus, nos cutucamos e comentamos com quem está do lado: “esse cara é judeu!”. Não à toa, há uma pá de livros espalhados pelo mundo com títulos como “Os 100 judeus mais famosos da História”. Tem um na estante da casa da minha irmã.
Só os judeus vão ao delírio em certas cenas de filmes do Woody Allen. Eu, por exemplo, adoro o bar-mitzva temático de “Desconstruindo Harry”. Venho descobrindo, quanto mais amigos que não são judeus aparecem na minha vida, que tem muita gente por aí que não curte tanto Woody Allen. E eu nem sabia disso.
Quando alguém da comunidade aparece com namorado ou namorada novos - e essa fofoca está rolando em um grupo de judeus - sempre tem um indivíduo que pergunta: “é judeu?”. Aliás, só nós, judeus, usamos essa palavra “comunidade”.
Fazemos questão de saber nome e sobrenome quando alguém que não é judeu diz: “conheci um judeu outro dia”, ou “eu já tive uma namorada judia!”. Porque nossos sobrenomes impronunciáveis são muito mais importantes que os nossos primeiros nomes.
Adoramos falar em hebraico entre nós para que os outros não entendam. Nossos avós fazem isso em ídish. Minha avó se aproveita dessa artimanha direto.
Filmes com temática judaica em cartaz são sucesso garantido na comunidade. Não importa se são péssimos. Todo mundo vai assistir.
Eu poderia ficar o dia todo aqui lembrando dessas peculiaridades. Mas depois de tudo isso, eu só consigo pensar em uma coisa. Aliás, estou me coçando de vontade de falar desde que comecei esse texto. Sabe o Seinfeld, que eu falei lá em cima? Pois é, ele é judeu!
domingo, janeiro 08, 2006
Vergonhas
Eu tenho umas vergonhas muito engraçadas. Por exemplo, eu tenho vergonha de entrar em uma farmácia só para me pesar e não comprar nada. Outro dia, passando por uma no Leblon, lembrei que precisava de um desodorante novo. Ótimo, era a desculpa perfeita. O plano era pegar o desodorante, pagar e, no fim de tudo, dar uma passadinha pela dita cuja. Mas enquanto esperava o moço passar o cartão, dei um espirrão inesquecível. O cara, talvez mais sem graça do que eu, pegou um lenço de papel e soltou: “toma, a senhora está precisando...”. Não preciso contar que nem me pesei depois disso. Assinei o papel do cartão e saí correndo.
Da série “minhas vergonhas”, ainda existem outras um pouco esquisitas. Por exemplo, eu morro de vergonha de aceitar dinheiro dos meus pais. Eu classifico essa vergonha como esquisita porque muita gente me diz que essa preocupação é uma grande bobagem. Mas uma bobagem pela qual eu, agora mestranda e dependente de uma bolsa miserável, tenho passado com certa freqüência. O pior é que quase nunca preciso pedir. Eles estão sempre oferecendo, cientes da minha nova condição de adulta que não tem mais como se sustentar. É terrível.
Acho que esse é o meu ponto mais fraco no momento. O dinheiro. E às vezes eu me martirizo por essa última escolha da minha vida. O mestrado. Só duas coisas costumam atenuar a sensação ruim. A primeira é quando vejo amigos dando plantão no jornal em fins de semana de sol. A segunda é quando descubro outras pessoas da minha idade que ainda precisam da ajuda financeira dos pais. No fim das contas, percebo que não sou um ser superior, como gostaria de ser, e posso me sentir mais leve com a desgraça alheia. Disso eu também tenho vergonha.
Da série “minhas vergonhas”, ainda existem outras um pouco esquisitas. Por exemplo, eu morro de vergonha de aceitar dinheiro dos meus pais. Eu classifico essa vergonha como esquisita porque muita gente me diz que essa preocupação é uma grande bobagem. Mas uma bobagem pela qual eu, agora mestranda e dependente de uma bolsa miserável, tenho passado com certa freqüência. O pior é que quase nunca preciso pedir. Eles estão sempre oferecendo, cientes da minha nova condição de adulta que não tem mais como se sustentar. É terrível.
Acho que esse é o meu ponto mais fraco no momento. O dinheiro. E às vezes eu me martirizo por essa última escolha da minha vida. O mestrado. Só duas coisas costumam atenuar a sensação ruim. A primeira é quando vejo amigos dando plantão no jornal em fins de semana de sol. A segunda é quando descubro outras pessoas da minha idade que ainda precisam da ajuda financeira dos pais. No fim das contas, percebo que não sou um ser superior, como gostaria de ser, e posso me sentir mais leve com a desgraça alheia. Disso eu também tenho vergonha.
sexta-feira, janeiro 06, 2006
Sobre o casamento
Lembro que uma vez, eu devia ter uns 23 anos e tinha acabado de terminar um namoro, minha mãe me disse que eu ainda tinha uns dois bons anos pela frente para achar alguém e aí sim me casar. Ela fez isso na melhor das intenções, acreditem, mas o problema é que agora me dou conta que estou na porta dos 27 e não me casei com ninguém. Pelas contas dela, a essa altura eu já teria entrado em algum templo vestida de branco, ladeada pelos meus sobrinhos e sobrinhas como pajens e damas de honra da cerimônia.
Pois é, eu estou fugindo dos planos da minha mãe. E não tenho coragem de contar isso para ela, apesar de ter uma leve desconfiança de que ela já se deu conta disso há muito tempo. Continuo com o meu velho discurso de “a gente só tem que tentar ser feliz, da maneira que for”, mas admito que nem eu, em certos momentos, acredito muito nessa frase. Será que o que eu chamo de felicidade vai me fazer feliz no fim de tudo? Ou a felicidade seria já ter me casado?
Se estou infeliz solteira, com várias amigas já casadas e muitas outras com filhos? Não, mas acho isso tudo muito chato. Até porque ninguém está ficando mais novo por aqui e faltam só dois meses para o meu próximo aniversário. Aí fico me perguntando se os planos da minha mãe não seriam os meus próprios planos, que eu, sem perceber, coloquei em um embrulho com a etiqueta “o que a mamãe queria para mim”. Mas continuo com a sensação de que ainda prefiro me arriscar por aquilo que eu chamo - ou acredito ser - felicidade no momento. E esse assunto só volta a ser discutido quando eu chegar aos 30.
Pois é, eu estou fugindo dos planos da minha mãe. E não tenho coragem de contar isso para ela, apesar de ter uma leve desconfiança de que ela já se deu conta disso há muito tempo. Continuo com o meu velho discurso de “a gente só tem que tentar ser feliz, da maneira que for”, mas admito que nem eu, em certos momentos, acredito muito nessa frase. Será que o que eu chamo de felicidade vai me fazer feliz no fim de tudo? Ou a felicidade seria já ter me casado?
Se estou infeliz solteira, com várias amigas já casadas e muitas outras com filhos? Não, mas acho isso tudo muito chato. Até porque ninguém está ficando mais novo por aqui e faltam só dois meses para o meu próximo aniversário. Aí fico me perguntando se os planos da minha mãe não seriam os meus próprios planos, que eu, sem perceber, coloquei em um embrulho com a etiqueta “o que a mamãe queria para mim”. Mas continuo com a sensação de que ainda prefiro me arriscar por aquilo que eu chamo - ou acredito ser - felicidade no momento. E esse assunto só volta a ser discutido quando eu chegar aos 30.
segunda-feira, dezembro 26, 2005
Sobre o choro
Sabe quando alguém pisa no seu pé e você chora? E chora preto porque o rímel não foi seu amigo e resolveu ceder na hora em que você mais precisava ser discreta? Dá até vontade de rir... Mas isso é normal. Não, não é normal chorar porque você levou uma pisada no pé. Normal é chorar porque a noite até então tinha sido uma desgraça e um pisão foi suficiente para desencadear o processo do choro.
Eu sempre tento dar uma disfarçada nesses momentos. Uma amiga me disse uma vez que eu fico linda até chorando. Mentira, ninguém fica lindo chorando. Mas eu consigo, em alguns casos, chorar sem sequer alterar a expressão do meu rosto. Daí eu olho para o lado, finjo que estou coçando os olhos - só para enxugar as lágrimas - e fica por isso mesmo. Bom, só não fica por isso mesmo quando você percebe que seus dedos estão pretos por causa do rímel.
Alguém acha, como eu, que chorar é uma das atividades mais esquisitas do ser humano? É muito estranho que um sentimento ou uma sensação (e apenas um sentimento ou uma sensação) possam causar uma alteração física tão visível. Qual é a relação que se estabelece entre a tristeza e um olho cheio d´água? Sei não.
Eu nunca li nada científico a respeito do choro, mas uma vez me surpreendi com uma dessas afirmações mais sonhadoras sobre o assunto. Não era nada de “chorar lava a alma” ou “chorar faz bem para a pele”. Acho que foi num livro do Roland Barthes, em que ele dizia que a gente chora quando um sentimento não cabe mais no nosso corpo. Às vezes falta espaço para tamanha alegria ou determinada tristeza. E aí elas transbordam em forma de lágrima. Não sei por que, mas isso costuma me confortar quando eu choro. Principalmente quando eu choro preto.
Eu sempre tento dar uma disfarçada nesses momentos. Uma amiga me disse uma vez que eu fico linda até chorando. Mentira, ninguém fica lindo chorando. Mas eu consigo, em alguns casos, chorar sem sequer alterar a expressão do meu rosto. Daí eu olho para o lado, finjo que estou coçando os olhos - só para enxugar as lágrimas - e fica por isso mesmo. Bom, só não fica por isso mesmo quando você percebe que seus dedos estão pretos por causa do rímel.
Alguém acha, como eu, que chorar é uma das atividades mais esquisitas do ser humano? É muito estranho que um sentimento ou uma sensação (e apenas um sentimento ou uma sensação) possam causar uma alteração física tão visível. Qual é a relação que se estabelece entre a tristeza e um olho cheio d´água? Sei não.
Eu nunca li nada científico a respeito do choro, mas uma vez me surpreendi com uma dessas afirmações mais sonhadoras sobre o assunto. Não era nada de “chorar lava a alma” ou “chorar faz bem para a pele”. Acho que foi num livro do Roland Barthes, em que ele dizia que a gente chora quando um sentimento não cabe mais no nosso corpo. Às vezes falta espaço para tamanha alegria ou determinada tristeza. E aí elas transbordam em forma de lágrima. Não sei por que, mas isso costuma me confortar quando eu choro. Principalmente quando eu choro preto.
sexta-feira, dezembro 23, 2005
Gangorras e afins
Eu nunca consegui acreditar que duas pessoas pudessem se amar com a mesma intensidade em um mesmo relacionamento. Tem sempre alguém que gosta mais, não tem jeito. A situação até se inverte em certos momentos e quem gostava menos pode passar a gostar mais. O desequilíbrio, no entanto, sempre existe.
Talvez por isso eu seja aquela louca que se põe a analisar casais, principalmente os que eu conheço há pouco tempo, medindo a quantidade de coisas legais que um fala para o outro na minha frente, quantas vezes eles aparecem sozinhos em programas em que eu estou e quem gruda mais em quem. Eu sou um horror...
Andei pensando nesse assunto porque resolvi jogar fora algumas das 568 revistas encalhadas da minha estante e abri uma Caras, que tinha como capa o casamento da Eliana, aquela apresentadora. Antes que me joguem pedra por eu comprar Caras, deixo claro que muitas delas vêm da casa da minha irmã. Mas eu adoro. Enfim, o que me chamou mais atenção na entrevista dela e do "recém-marido" foram algumas das respostas. Notem bem:
Agora, quais são as suas expectativas?
Eliana: Já nos conhecemos há nove anos, namoramos há um e moramos juntos há seis meses. Além de muito amor, nossa relação é baseada no companheirismo e na amizade, o que é muito importante. A cada dia tenho a certeza de que Du é o homem ideal para mim, gosta das mesmas coisas como eu, é extremamente organizado, delicado. Está sendo muito bacana.
Eduardo: Vai ficar mais incrível ainda. A Li é a mulher da minha vida!
Agora me diz. Quem gosta mais de quem? Ela dá uma enorme enrolada falando de datas para depois dizer que o cara é “organizado” e que “está sendo muito bacana”. Já ele, não precisa nem pensar duas vezes e manda logo na lata: “a Li é a mulher da minha vida”.
Essa foi fácil. Difícil mesmo é quando a relação que você se propõe a analisar é a sua. Recomendo não ficar pensando nisso por muito tempo. Você começa a sonhar com gangorras, montanhas-russas e por aí vai. Tudo no melhor estilo altos e baixos.
Talvez por isso eu seja aquela louca que se põe a analisar casais, principalmente os que eu conheço há pouco tempo, medindo a quantidade de coisas legais que um fala para o outro na minha frente, quantas vezes eles aparecem sozinhos em programas em que eu estou e quem gruda mais em quem. Eu sou um horror...
Andei pensando nesse assunto porque resolvi jogar fora algumas das 568 revistas encalhadas da minha estante e abri uma Caras, que tinha como capa o casamento da Eliana, aquela apresentadora. Antes que me joguem pedra por eu comprar Caras, deixo claro que muitas delas vêm da casa da minha irmã. Mas eu adoro. Enfim, o que me chamou mais atenção na entrevista dela e do "recém-marido" foram algumas das respostas. Notem bem:
Agora, quais são as suas expectativas?
Eliana: Já nos conhecemos há nove anos, namoramos há um e moramos juntos há seis meses. Além de muito amor, nossa relação é baseada no companheirismo e na amizade, o que é muito importante. A cada dia tenho a certeza de que Du é o homem ideal para mim, gosta das mesmas coisas como eu, é extremamente organizado, delicado. Está sendo muito bacana.
Eduardo: Vai ficar mais incrível ainda. A Li é a mulher da minha vida!
Agora me diz. Quem gosta mais de quem? Ela dá uma enorme enrolada falando de datas para depois dizer que o cara é “organizado” e que “está sendo muito bacana”. Já ele, não precisa nem pensar duas vezes e manda logo na lata: “a Li é a mulher da minha vida”.
Essa foi fácil. Difícil mesmo é quando a relação que você se propõe a analisar é a sua. Recomendo não ficar pensando nisso por muito tempo. Você começa a sonhar com gangorras, montanhas-russas e por aí vai. Tudo no melhor estilo altos e baixos.
quarta-feira, dezembro 21, 2005
"If God had a name, what would it be"
Eu costumo não acreditar em Deus. Digo isso para as pessoas e as reações são as mais variadas. Vão desde “você está se afastando muito da religião” (minha mãe) até “é impossível não acreditar em Deus” (meu namorado). Mas é sério, se eu acreditasse em Deus, acho que teria que acreditar também em vida após a morte – e eu também não acredito em vida após a morte.
O engraçado é que me peguei outro dia toda emocionada porque consegui ver um episódio de “Joan of Arcadia” desde o comecinho. Para quem não sabe, sou viciada em televisão, sou louca pelas séries da Sony e descobri que adoro “Joan of Arcadia”. É sobre uma menina de 16 anos que conversa com Deus. E ele aparece para ela nas mais variadas formas: pode ser um cara lindo que ela dá em cima ou uma velha rabugenta do refeitório da escola.
Acho que a melhor sacada de quem produz essa série é a música da abertura. “One of Us”, da Joan Osborne, cujo refrão é assim:
What if God was one of us
Just a slob like one of us
Just a stranger on the bus
Trying to make his way home
Onde eu quero chegar com toda essa conversa? Sei lá, acho que a vida seria mais divertida se a gente não se importasse tanto em "acreditar em Deus" e tivesse a liberdade de imaginar a figura em lugares inusitados, por aí, disfarçado de menino-gatinho ou velha rabugenta. Mas tenho que confessar que outro dia me peguei rezando dentro de um avião em turbulência. Só me lembrem de não contar isso para minha mãe ou para o meu namorado porque aí eu seria taxada de incoerente.
O engraçado é que me peguei outro dia toda emocionada porque consegui ver um episódio de “Joan of Arcadia” desde o comecinho. Para quem não sabe, sou viciada em televisão, sou louca pelas séries da Sony e descobri que adoro “Joan of Arcadia”. É sobre uma menina de 16 anos que conversa com Deus. E ele aparece para ela nas mais variadas formas: pode ser um cara lindo que ela dá em cima ou uma velha rabugenta do refeitório da escola.
Acho que a melhor sacada de quem produz essa série é a música da abertura. “One of Us”, da Joan Osborne, cujo refrão é assim:
What if God was one of us
Just a slob like one of us
Just a stranger on the bus
Trying to make his way home
Onde eu quero chegar com toda essa conversa? Sei lá, acho que a vida seria mais divertida se a gente não se importasse tanto em "acreditar em Deus" e tivesse a liberdade de imaginar a figura em lugares inusitados, por aí, disfarçado de menino-gatinho ou velha rabugenta. Mas tenho que confessar que outro dia me peguei rezando dentro de um avião em turbulência. Só me lembrem de não contar isso para minha mãe ou para o meu namorado porque aí eu seria taxada de incoerente.
A volta
Ficar presa em casa, esperando o homem que vai consertar o aquecedor, tem dessas coisas. Você senta no computador, olha o antigo blog e começa a brincar de mudar templates só para ver como fica. Daí descobre que gostaria de publicar antigos textos que foram apagados. E não demora muito e vc logo sente vontade de escrever outras coisas e publicá-las também.
Fica em casa esperando o homem do aquecedor para você ver o que te acontece.
Fica em casa esperando o homem do aquecedor para você ver o que te acontece.
quarta-feira, maio 11, 2005
A novidade
Ela não sabia se casava ou se comprava uma bicicleta. Levou tanto tempo para se decidir que não deu outra: alguém, no meio do caminho, decidiu por ela. Findo o quase-casamento, a moça achou que era hora de optar pela bicicleta.
Não foi muito fácil. Quatro visitas a quatro lojas diferentes, várias contas para ver se o brinquedo cabia no orçamento, diversas bicicletas alugadas pela Lagoa para ver se a atividade realmente valia a pena e por aí vai. Isso porque ainda teria que dar um jeito do bicho entrar no carro depois de comprá-lo.
Tinha que decidir a marca, a cor, se ia ter marchas, os acessórios... Tudo conspirava para que a tarefa fosse extremamente trabalhosa. Foi muito tempo gasto só pensando, pensando e pensando. Mas a verdade é que aquilo parecia ser necessário. Entrou na loja e comprou.
De necessária, a brincadeira passou a ser interessante. Do interessante ao "quero um pouco mais amanhã", foi um pulo. E agora ela sente até um certo frio na barriga quando imagina a vida sem essa novidade. Sorte a dela.
Não foi muito fácil. Quatro visitas a quatro lojas diferentes, várias contas para ver se o brinquedo cabia no orçamento, diversas bicicletas alugadas pela Lagoa para ver se a atividade realmente valia a pena e por aí vai. Isso porque ainda teria que dar um jeito do bicho entrar no carro depois de comprá-lo.
Tinha que decidir a marca, a cor, se ia ter marchas, os acessórios... Tudo conspirava para que a tarefa fosse extremamente trabalhosa. Foi muito tempo gasto só pensando, pensando e pensando. Mas a verdade é que aquilo parecia ser necessário. Entrou na loja e comprou.
De necessária, a brincadeira passou a ser interessante. Do interessante ao "quero um pouco mais amanhã", foi um pulo. E agora ela sente até um certo frio na barriga quando imagina a vida sem essa novidade. Sorte a dela.
domingo, março 20, 2005
Rol de namorados
Eu estava há muito tempo atrás de um certo livro. Não conseguia lembrar nem o nome da autora, só sabia mesmo o título. Depois de duas ou três tentativas frustradas, achei um no fundo de uma estante de uma livraria de um aeroporto. Mas enquanto eu esperava na fila do caixa, pensei que poderia estar me precipitando. Eu tinha que gastar pelo menos mais 10 minutos para ver se o tal livro realmente valia.
Capítulo 1: "Estou acostumada a organizar as lembranças da minha vida em torno de um rol de namorados e de livros. Os diversos relacionamentos que tive e as obras que publiquei são as referências que marcam minha memória, transformando o ruído informe do tempo em uma coisa ordenada."
Ok, menos de um minuto foi necessário. Eu também sou capaz de organizar minhas memórias através de namorados. "O ano em que isso aconteceu era 1997 porque eu namorava fulano" ou "aquilo outro foi em 99 porque eu estava ficando com beltrano". Isso é recorrente.
Mas isso tudo me levou a uma outra conclusão. Meu gosto musical também está diretamente ligado aos meus relacionamentos. Cada um trouxe uma novidade para o meu cardápio musical. E, por isso, eu sei exatamente quando algumas das minhas preferências musicais passaram a existir.
Por exemplo, "Men at Work" fez parte de uma fase 1995. No ano de 2001, surgiram "REM" e "George Harrison". Em 2002, "U2" e "Dave Matthews Band". E por aí vai. Mas eu sei que nunca consegui engolir "Pink Floyd", apesar desses caras terem tentado entrar umas três vezes na minha vida. A primeira vez em que eles apareceram foi uma época tão ruim que eu acho que sou incapaz de digerir pérolas como "Dark Side of the Moon". Aliás, eu nem sei se é "Dark Side of the Moon" ou "The Dark Side of the Moon". Uma pena.
Capítulo 1: "Estou acostumada a organizar as lembranças da minha vida em torno de um rol de namorados e de livros. Os diversos relacionamentos que tive e as obras que publiquei são as referências que marcam minha memória, transformando o ruído informe do tempo em uma coisa ordenada."
Ok, menos de um minuto foi necessário. Eu também sou capaz de organizar minhas memórias através de namorados. "O ano em que isso aconteceu era 1997 porque eu namorava fulano" ou "aquilo outro foi em 99 porque eu estava ficando com beltrano". Isso é recorrente.
Mas isso tudo me levou a uma outra conclusão. Meu gosto musical também está diretamente ligado aos meus relacionamentos. Cada um trouxe uma novidade para o meu cardápio musical. E, por isso, eu sei exatamente quando algumas das minhas preferências musicais passaram a existir.
Por exemplo, "Men at Work" fez parte de uma fase 1995. No ano de 2001, surgiram "REM" e "George Harrison". Em 2002, "U2" e "Dave Matthews Band". E por aí vai. Mas eu sei que nunca consegui engolir "Pink Floyd", apesar desses caras terem tentado entrar umas três vezes na minha vida. A primeira vez em que eles apareceram foi uma época tão ruim que eu acho que sou incapaz de digerir pérolas como "Dark Side of the Moon". Aliás, eu nem sei se é "Dark Side of the Moon" ou "The Dark Side of the Moon". Uma pena.
quarta-feira, janeiro 19, 2005
O que eu vou ser quando crescer
Eu era a única criança da escola que não sabia o que queria ser quando crescesse. Existiam aquelas criaturas que queriam ser coisas quase impossíveis, tipo jogador de futebol ou astronauta. Eu achava isso ridículo. Sim, já nasci com um senso crítico aguçadíssimo e ainda não sei como me livrar desse carma em certos momentos da vida.
Ainda tinha uma amiga que desde que completou três anos já tinha certeza que queria ser jornalista. "Jornalista de economia", ela deixava bem claro. Eu também não podia deixar de achar aquilo esquisito. Nunca consegui me identificar com nada que era oferecido. Jornalismo, aliás, nunca apareceu na minha lista de possíveis carreiras.
Mas eu virei uma jornalista. Para o meu analista, a explicação é óbvia. Eu tenho uma certa mania de querer descobrir verdades. Na época em que escolhi a carreira, a obsessão girava em torno dos meus pais, que me contavam as mesmas histórias, cada um com sua versão. Acreditem, eram versões completamente diferentes para os mesmos acontecimentos. Um bom chute, eu acho, mas é bem papinho de analista.
Nos últimos dias tenho experimentado a mesma sensação do ano do vestibular. As pessoas não se cansam de me perguntar para onde eu vou. Antes disso, fazem questão de arregalar os olhos quando eu digo que pedi demissão. O discurso está pronto e é rápido: "vou fazer mestrado". Não gosto nem de dizer a área para não me alongar muito no assunto. Tinha vontade mesmo de mandar: "Para onde eu vou? Para casa. Pensar nas milhões de possibilidades de profissões que o mundo oferece". Mas eu tenho que manter uma certa aparência.
Ainda tinha uma amiga que desde que completou três anos já tinha certeza que queria ser jornalista. "Jornalista de economia", ela deixava bem claro. Eu também não podia deixar de achar aquilo esquisito. Nunca consegui me identificar com nada que era oferecido. Jornalismo, aliás, nunca apareceu na minha lista de possíveis carreiras.
Mas eu virei uma jornalista. Para o meu analista, a explicação é óbvia. Eu tenho uma certa mania de querer descobrir verdades. Na época em que escolhi a carreira, a obsessão girava em torno dos meus pais, que me contavam as mesmas histórias, cada um com sua versão. Acreditem, eram versões completamente diferentes para os mesmos acontecimentos. Um bom chute, eu acho, mas é bem papinho de analista.
Nos últimos dias tenho experimentado a mesma sensação do ano do vestibular. As pessoas não se cansam de me perguntar para onde eu vou. Antes disso, fazem questão de arregalar os olhos quando eu digo que pedi demissão. O discurso está pronto e é rápido: "vou fazer mestrado". Não gosto nem de dizer a área para não me alongar muito no assunto. Tinha vontade mesmo de mandar: "Para onde eu vou? Para casa. Pensar nas milhões de possibilidades de profissões que o mundo oferece". Mas eu tenho que manter uma certa aparência.
quinta-feira, janeiro 06, 2005
O relacionamento dos outros
Eu tenho a estranha mania de me espelhar no relacionamento dos outros. Não sei muito bem como explicar (e acho que não é nem bem "me espelhar"), mas isso é recorrente. Se o namoro está em crise, quase no fim, começo a pensar em todos os namoros que conheço que já terminaram e recomeçaram. Ao mesmo tempo, se o relacionamento vai muito bem, começo a pensar em todo mundo que eu achava que se dava muito bem e terminou de uma hora para outra. Ou todo mundo que estava tão bem que até casou.
Como se não me bastasse recorrer à realidade, valem até casais da ficção. Novelas, filmes, livros... No momento, o foco está nas idas e vindas de um casal do "Budapeste", do Chico Buarque. Mas os casais de "Sex and the city" também são sempre lembrados. São pensamentos do tipo: "ah, se ela fez essa merda e eles ainda estão juntos, ainda posso ter esperanças".
Fico tentando imaginar de onde vem essa mania esquisitíssima. Afinal, em momentos de lucidez, eu consigo até me concentrar e perceber que cada história é uma história. E que o que acontece com os outros, muito provavelmente, não vai acontecer comigo. Mas no meio de uma conversa com a minha mãe, há uns dias, ouvi a seguinte pérola: "Mas veja aquele casal de conhecidos. Eram namorados, terminaram, voltaram e agora estão casados!". Ela queria dar a entender que isso também poderia acontecer comigo. Ainda levo em consideração a hipótese disso ser genético.
Como se não me bastasse recorrer à realidade, valem até casais da ficção. Novelas, filmes, livros... No momento, o foco está nas idas e vindas de um casal do "Budapeste", do Chico Buarque. Mas os casais de "Sex and the city" também são sempre lembrados. São pensamentos do tipo: "ah, se ela fez essa merda e eles ainda estão juntos, ainda posso ter esperanças".
Fico tentando imaginar de onde vem essa mania esquisitíssima. Afinal, em momentos de lucidez, eu consigo até me concentrar e perceber que cada história é uma história. E que o que acontece com os outros, muito provavelmente, não vai acontecer comigo. Mas no meio de uma conversa com a minha mãe, há uns dias, ouvi a seguinte pérola: "Mas veja aquele casal de conhecidos. Eram namorados, terminaram, voltaram e agora estão casados!". Ela queria dar a entender que isso também poderia acontecer comigo. Ainda levo em consideração a hipótese disso ser genético.
segunda-feira, janeiro 03, 2005
O timing nosso de cada dia
Tenho que admitir que perdi o timing de muitas coisas na vida. Ando não sabendo a hora certa de reclamar, por exemplo. Tem sido sempre assim: no momento em que sai a última palavra da reclamação, vem aquela sensação de "o meu bom senso pediu as contas e foi embora".
E o timing de contar segredos? Andava estragando tantas surpresas que passei a pedir a todos que não me revelassem segredos de nenhum tipo. Um desses furos foi quando contei pra um amigo que a noiva dele usaria uma camisola especial na primeira noite de lua-de-mel. Ok, não foi dito tão na lata assim, mas de alguma forma eu dei a entender e ele captou de primeira. A sensação foi esquisitíssima e eu, por um instante, achei que era capaz de fazer o tempo voltar para consertar aquilo. Achei mesmo.
O timing dos livros, eu já perdi de vista. Quase não tenho lido, mas consegui devorar 580 páginas de um tijolo nos três últimos dias. Fui incapaz de cultivar uma boa leitura ou de me desgrudar do livro para dar atenção a outros. Isso porque eu ainda não falei no timing do sono, da arrumação da casa, das compras...
Engraçado é que eu adoro essa expressão timing. Aliás, eu adoro expressões em inglês que se relacionem com a palavra time. Take your time é a que eu mais gosto. Pegue o seu tempo, leve o tempo que precisar, use o seu tempo pelo tempo que quiser. Eu gostaria de levar o tempo que quisesse até conseguir consertar esse meu descompasso com o mundo. Talvez eu só esteja esperando ouvir das pessoas "take your time", em vez de "o seu timing está em desacordo". Ou talvez eu esteja sendo autêntica pela primeira vez na vida. Como se disesse: "Sinto muito, mas essa pessoa com timing desajustado sou eu mesma".
E o timing de contar segredos? Andava estragando tantas surpresas que passei a pedir a todos que não me revelassem segredos de nenhum tipo. Um desses furos foi quando contei pra um amigo que a noiva dele usaria uma camisola especial na primeira noite de lua-de-mel. Ok, não foi dito tão na lata assim, mas de alguma forma eu dei a entender e ele captou de primeira. A sensação foi esquisitíssima e eu, por um instante, achei que era capaz de fazer o tempo voltar para consertar aquilo. Achei mesmo.
O timing dos livros, eu já perdi de vista. Quase não tenho lido, mas consegui devorar 580 páginas de um tijolo nos três últimos dias. Fui incapaz de cultivar uma boa leitura ou de me desgrudar do livro para dar atenção a outros. Isso porque eu ainda não falei no timing do sono, da arrumação da casa, das compras...
Engraçado é que eu adoro essa expressão timing. Aliás, eu adoro expressões em inglês que se relacionem com a palavra time. Take your time é a que eu mais gosto. Pegue o seu tempo, leve o tempo que precisar, use o seu tempo pelo tempo que quiser. Eu gostaria de levar o tempo que quisesse até conseguir consertar esse meu descompasso com o mundo. Talvez eu só esteja esperando ouvir das pessoas "take your time", em vez de "o seu timing está em desacordo". Ou talvez eu esteja sendo autêntica pela primeira vez na vida. Como se disesse: "Sinto muito, mas essa pessoa com timing desajustado sou eu mesma".
sexta-feira, novembro 19, 2004
Mulherzinha
Em quase todas as minhas relações, acho que sempre assumi uma posição um tanto masculina. Não pensem bobagem, eu explico. Todo mundo diz que são as mulheres que a-do-ram discutir a relação, que são as mulheres que a-mam fazer uma cena de ciúmes e que são as mulheres que i-do-la-tram os homens que choram na frente delas.
Eu nunca curti muito esse tipo de coisa. A verdade é que eu sempre tive muito medo de incomodar. Eu detesto sentir que estou incomodando as pessoas. Acordar um namorado no meio da noite para dizer que não estou bem? Puxar alguém pelo braço para contar meus problemas? Eu até posso fazer isso, mas vou pedir muitas desculpas antes, durante e depois.
Isso se reflete até na análise. Minha ansiedade por pedir desculpas ao analista é tamanha que eu sempre pergunto, no final das sessões, se aquele é o dia de pagar. Um adendo: eu só tenho que pagar de duas em duas sessões. Mas a minha consciência pesa tanto por fazer aquele homem ouvir minha ladainha por uma hora inteira, que eu sempre acho (de verdade) que todo dia é dia de pagar.
Tenho que confessar que o meu lado mulherzinha às vezes se manifesta. Muito raramente ele sai de algum lugar escondido. E aí faço coisas que nem eu sei explicar de onde tirei. Tudo aquilo que a Josy masculina abomina, para ser mais específica. Ainda tô para descobrir qual dessas é a Josy de verdade. Se alguém tiver uma pista...
Eu nunca curti muito esse tipo de coisa. A verdade é que eu sempre tive muito medo de incomodar. Eu detesto sentir que estou incomodando as pessoas. Acordar um namorado no meio da noite para dizer que não estou bem? Puxar alguém pelo braço para contar meus problemas? Eu até posso fazer isso, mas vou pedir muitas desculpas antes, durante e depois.
Isso se reflete até na análise. Minha ansiedade por pedir desculpas ao analista é tamanha que eu sempre pergunto, no final das sessões, se aquele é o dia de pagar. Um adendo: eu só tenho que pagar de duas em duas sessões. Mas a minha consciência pesa tanto por fazer aquele homem ouvir minha ladainha por uma hora inteira, que eu sempre acho (de verdade) que todo dia é dia de pagar.
Tenho que confessar que o meu lado mulherzinha às vezes se manifesta. Muito raramente ele sai de algum lugar escondido. E aí faço coisas que nem eu sei explicar de onde tirei. Tudo aquilo que a Josy masculina abomina, para ser mais específica. Ainda tô para descobrir qual dessas é a Josy de verdade. Se alguém tiver uma pista...
quinta-feira, novembro 11, 2004
5 minutos
Eu estava enrolada. Fui tentar uma prova importante aí e me vi perdida entre livros que tratavam de assuntos totalmente novos para mim. Achei que tinha dado conta do recado. Até a hora em que a prova terminou e eu não tinha passado todas as minhas respostas a limpo. Elas estavam legais no rascunho, mas na prova que eu entreguei me pareceram incompletas, já que tive que resumir quase tudo em 5 minutos.
Dito isso, vários pensamentos. O primeiro: qual o sentido de não poder consultar livros em provas? Alguém aí pode me apontar algum momento da vida real em que a gente não possa consultar livros, anotações ou internet? Li um monte de textos que criticavam exatamente esse tipo de avaliação, que é capaz de medir apenas a sua capacidade de memorização. Bom, isso foi só para desabafar.
O segundo pensamento diz respeito à minha incapacidade máxima de passar a limpo quase tudo na minha vida. Tudo é um enorme borrão. Não consigo tomar decisões, não consigo me livrar do que não gosto e não consigo agradar a quem realmente gosto. Tenho vontade de pedir pelo menos uma hora a mais de prova para consertar todos esses estragos. Mas a moça que tomava conta do teste me disse: "Não gosto de fazer o papel da repressão, mas não posso esperar mais do que 5 minutos". É isso aí. Em 5 minutos eu não dou conta do recado.
Dito isso, vários pensamentos. O primeiro: qual o sentido de não poder consultar livros em provas? Alguém aí pode me apontar algum momento da vida real em que a gente não possa consultar livros, anotações ou internet? Li um monte de textos que criticavam exatamente esse tipo de avaliação, que é capaz de medir apenas a sua capacidade de memorização. Bom, isso foi só para desabafar.
O segundo pensamento diz respeito à minha incapacidade máxima de passar a limpo quase tudo na minha vida. Tudo é um enorme borrão. Não consigo tomar decisões, não consigo me livrar do que não gosto e não consigo agradar a quem realmente gosto. Tenho vontade de pedir pelo menos uma hora a mais de prova para consertar todos esses estragos. Mas a moça que tomava conta do teste me disse: "Não gosto de fazer o papel da repressão, mas não posso esperar mais do que 5 minutos". É isso aí. Em 5 minutos eu não dou conta do recado.
quarta-feira, outubro 20, 2004
"Let's get it on"
Quem aqui compra revistas de noiva? Eu faço isso. Aliás, eu fiz isso depois de uma crise no relacionamento. Comecei a perceber que as coisas não estavam indo bem, passei por uma banca de jornal e levei uma revista com moça vestida de branco. Mas deixa eu esclarecer uma coisa: não estou desesperada para casar. Acho que não consigo aceitar o fato de que as pessoas assinam um papel jurando que vão ficar juntas pelo resto da vida. Na verdade, acho que casamento me dá um pouco de medo. Então quem é que consegue explicar essa ligação Josy-revistas de noiva?
Bom, confesso que se estivesse para casar, ficaria muito empolgada em escolher a trilha sonora da festa. Pensa só: é quase como um filme. Para cada momento tem uma música. Noiva entra, sobe o som. Noivos se beijam, sobe o som. Noivos saem, sobe o som. Quem, na vida real, consegue isso? Ninguém tem música de verdade tocando de fundo na hora em que diz "eu te amo" pela primeira vez, tem? Bom, pode até ter, mas ela não entra na hora certa, no ponto certo, com a intensidade certa. Ela, provavelmente, estava ali tocando e assim continuou.
De tanto pensar nisso, cheguei a algumas conclusões. Se um dia eu me casar, a música que vai tocar na entrada da noiva é "Meu esquema", do Mundo Livre S/A. Outra que eu gostaria de usar em algum momento da festa é "Let's get it on", naquela versão cantada pelo Jack Black, em "Alta Fidelidade". Mas li em uma reportagem que Marvin Gaye foi o mais votado como compositor das melhores músicas de motel e por isso resolvi repensar. Mas a última das conclusões é que talvez a grande graça de toda essa história de casamento com papel passado, para mim, seja a festa.
Bom, confesso que se estivesse para casar, ficaria muito empolgada em escolher a trilha sonora da festa. Pensa só: é quase como um filme. Para cada momento tem uma música. Noiva entra, sobe o som. Noivos se beijam, sobe o som. Noivos saem, sobe o som. Quem, na vida real, consegue isso? Ninguém tem música de verdade tocando de fundo na hora em que diz "eu te amo" pela primeira vez, tem? Bom, pode até ter, mas ela não entra na hora certa, no ponto certo, com a intensidade certa. Ela, provavelmente, estava ali tocando e assim continuou.
De tanto pensar nisso, cheguei a algumas conclusões. Se um dia eu me casar, a música que vai tocar na entrada da noiva é "Meu esquema", do Mundo Livre S/A. Outra que eu gostaria de usar em algum momento da festa é "Let's get it on", naquela versão cantada pelo Jack Black, em "Alta Fidelidade". Mas li em uma reportagem que Marvin Gaye foi o mais votado como compositor das melhores músicas de motel e por isso resolvi repensar. Mas a última das conclusões é que talvez a grande graça de toda essa história de casamento com papel passado, para mim, seja a festa.
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